Impacto Global através de Ações Locais: Uma visão diferente.
Impacto Global através de Ações Locais: Uma visão diferente.
Ramsés Machado
O tema que será abordado aqui trata de questões relevantes para todos nós. O foco principal estará na participação do cidadão na sociedade civil global, através de ações locais, que podem ser executadas por todos nós, e que tenham relevância global.
Inicialmente, devemos entender que o conceito de sociedade civil global apresenta diversos significados em diferentes contextos. Basta analisar as profundas mudanças na estrutura economia e política mundial ocorrida nas últimas décadas. Em uma primeira abordagem podemos dizer que sociedade civil global trata, prioritariamente, de “democracia e civilização”, e que tais transformações ganham força social em âmbito global. Um dos maiores impactos que podemos sentir quanto a isso se dá na municipalização de vários serviços antes exercidos por esferas maiores de governo, fazendo com que as cidades passassem a ter um novo papel estratégico, já que nelas são tomadas as primeiras ações, evoluindo para a formação de redes de cidades onde a interação com a população é cada vez maior, ou ao menos deveria ser. Desta forma, se dá a participação cidadã local na sociedade civil global.
Apesar de diferentes contextos, considero que essa participação pode ser dividida em três aspectos principais: consciência ecológica, consciência política e consciência fiscal.
A primeira delas, e por certo a mais trabalhada por toda a mídia e sociedade, é a consciência ecológica, onde são abordados temas como: a utilização dos recursos naturais, a reciclagem, a poluição, dentre outros assuntos deveras importante. Poderíamos falar durante horas e por certo não seria possível abordar todos os temas com a profundidade necessária que eles merecem, haja visto os mesmo estarem em voga, desde a Eco 92, realizada no Rio de Janeiro.
Mas ressalta-se que devemos fazer a nossa parte, apoiando os projetos voltados para esta realidade, bem como tomando pequenas ações dentro de nossos lares, como economizar energia através da utilização de lâmpadas adequadas e separar nosso lixo domestico para coleta seletiva.
No entanto, quero aproveitar sua atenção para abordar os outros dois assuntos apresentados anteriormente, começando pela consciência política.
Em uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2006, denominada “Amnésia Eleitoral”, constatou que 65% dos eleitores não lembravam em quem votaram para Deputado Federal na eleição anterior. Claro que este números variam dentre as classes sociais, porém, ela apontou que aproximadamente 53% das pessoas com nível superior também não lembravam.
Mas como nosso foco são ações locais, vejamos um dado municipal.
Em outra pesquisa encomendada pela Gazeta do Povo em 2008, apontou que na cidade de Curitiba, que este ano sediará a Convenção Nacional da JCI Brasil, também considerada uma das capitais modelos, apresentam números preocupantes. Vejamos que dados alarmantes revelou esta pesquisa: 72% dos entrevistados não lembravam o nome de nenhum dos 38 vereadores da cidade, e sequer sabem onde fica a Câmara de Vereadores. Outro dado estarrecedor indica que, aproximadamente, 85% dos eleitores desconhecem o real trabalho dos vereadores. E estou certo que esta realidade pode ser estendida aos demais municípios brasileiros, com pequenas variações no resultado.
Desta maneira, não podemos ficar apenas separando nosso lixo doméstico e pensando que isso é suficiente. Devemos conhecer melhor nossos representantes e suas atribuições, ao invés de ficar criticando a tudo e a todos apenas com base nas manchetes trazidas pela imprensa.
Muitos de nós apontarmos a carência de cultura e educação como responsável por esta falta de conhecimento, mas seria epenas mais um dado sem grande fundamentação, já que nem a classe mais próvida, a que contém título superior, demonstra consciência política.
Quantos de nós acompanhou uma sessão da Câmara de Vereadores da nossas cidade ao menos uma vez? Quantos acessaram o site da casa legislativa para saber os projetos que por lá passaram?
A participação política local não acaba na urna, dela apenas damos início a mais um período democrático.
Por fim, trato da consciência fiscal, que aborda principalmente os tributos, essencial forma de manutenção do Estado. Assim como tratamos na consciência política, as questões tributárias são desconhecidas da grande massa, principalmente por quem seria o maior beneficiado pelo retorno tributário; a parte mais carente da população.
É comum ouvirmos que não se pede nota fiscal para não dar mais dinheiro para os “ladrões” dos políticos.
O fato da aplicação errada do dinheiro oriundo dos tributos é outra questão e não justifica nossa insipiência frente ao tema, estou certo que esta má administração é reforçada pelo desconhecimento que tratamos anteriormente.
Deve ficar claro que quando não solicitamos nota fiscal, o tributo que deveria ir para o governo subsidiar serviços para a população, fica na mão dos empresários, e acaba virando carros de luxo e viagens ao exterior, ou seja, contribuímos para outro tipo de corrupção, que podemos nomear como corrupção privada.
Não tenho dúvidas que a população carece desta consciência, não sabe ao menos o simples conceito de tributo. Prefere replicar que no Brasil existem mais de 70, 80 impostos, quando na verdade são 13. Prefere, não descobrir que o IPVA que pagamos reverte 50% do valor para nosso município, que 25% do ICMS arrecadado também pertence a esfera municipal.
Na verdade preferimos aderir as companhas de “liberdade de impostos”, como a ocorrida no último 25 de maio, já que é mais fácil criticar do que pensar.
Não serei utópico ao ponto de tentar moralizar o sistema, e não vou aplicar um precioso tempo para tentar concordar ou discordar destas ações.
Conseguindo deixar a mensagem de que solicitando a nota fiscal, que é um direito do consumidor, já trará benefícios à população, como melhor saúde e educação pública, já me deixará satisfeito, e quem sabe, posteriormente, quando tivermos maior consciência, poderemos exigir e fazer constar a Educação Fiscal no currículo escolar, visando desde cedo plantar esta demanda na sociedade.
Para finalizar quero deixar claro que nossa participação como cidadão ativo vai muito além de reciclar nosso lixo doméstico ou de fechar a torneira enquanto escovamos os dentes; muito além de acompanhar o trabalho de nossos representantes locais; muito além de pedir uma simples nota fiscal.
Mas se fizermos apenas isso, já estaremos praticando ações locais com grande impacto global.
Referências:
AMNÉSIA ELEITORAL. São Paulo: Carta Capital, Edição 410 – 12/09/2006.
BONELLA, Danielle Soncini; HERMANY, Ricardo. Participação da cidadania na sociedade civil global: ações locais de interesse global.
Disponível em: http://conpedi.org/manaus/arquivos/anais/bh/danielle_soncini_bonella2.pdf
KÁTIA, Chagas; RHODRIGO, Deda. 72% não sabem o nome de nenhum vereador. Gazeta do Povo, Paraná, 2008.
Disponível em: <http://www.fiepr.org.br/redeempresarial/News2125content51833.shtml



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